quarta-feira, 23 de março de 2011

O Grupo Prodes na Fazenda de Recanto de Cana


O primeiro informativo do Grupo Jurassic Prodes conta com a palavra ilustre, e sempre inspiradora, do Padre Osvaldo.

Foi para mim uma grande alegria quando alguns participantes do antigo Prodes decidiram promover a Parada, para os internos da Fazenda Recanto de Caná. A experiência tem sido muito boa. O terceiro encontro que se realizou nos dias 20 e 21 de novembro teve resultados para entusiasmar a todos, os palestrantes, a equipe, os participantes e o Pe. Osvaldo. A equipe saiu decidida a aumentar o seu pessoal e duplicar o número de encontros para o próximo ano.

Neste ano já se realizou o quarto encontro. Os participantes são internos da Fazenda, em processo de recuperação, quase todos com mais de 25 anos e alguns beirando os sessenta. Cada vez me impressiona como os encontros têm sido bem acolhidos e vem trazendo benefícios. Até gente de curso superior revela ter aprendido e crescido muito, com importantes descobertas para suas vidas.

Aqui temos a manifestação de 4 dos participantes do Encontro de novembro de 2010. O depoimento deles vale mais do que as minhas palavras:

“Tive um grande aprendizado e um despertar. Há muito tempo não sentia o que senti. Aos 16 anos conheci um grupo de jovens chamado AGAPE. Vi agora que perdi muito na escuridão das drogas. Senhor, obrigado por me iluminar” (Edvaldo).

“No retiro pude aprender, entre muitas coisas, a satisfação de ser útil, vendo o exemplo de disponibilidade da equipe. Tive a oportunidade de conhecer e fazer bons amigos, com o bom convívio entre as comunidades Dom Bosco e Damião. Tive oportunidade de me aproximar de Deus e aumentar o meu amor por Ele” (Alexandre Cota).

“Tive uma experiência incrível, neste fim de semana, posso dizer que foi a melhor da minha vida, com a presença de Deus. Ele preencheu o meu coração e todos os espaços, com a sua presença que pude sentir. Quero agradecer os amigos do Prodes que me proporcionaram este encontro com Deus, neste retiro espiritual” (Hélcio).

“Este retiro foi simplesmente extraordinário, foi algo especial que aconteceu na minha vida. Estar com Deus foi o sentimento que tive. Fiquei maravilhado. Desde então resolvi mudar a minha vida. Mudar o meu comportamento como pai, como filho e como irmão, e principalmente como cristão, numa religião tão rica em ensinamentos e em disciplina” (Ronaldo Júnior).

Do último encontro, realizado este ao, tenho o seguinte comentário:

“Durante as trinta de duas horas de meditação e retiro espiritual que o grupo PRODES nos ofereceu nos dias 26 e 27 de fevereiro, do qual tive o privilégio de participar, fui presenteado com grandes ensinamentos e tive a oportunidade de olhar para dentro de mim mesmo, e me ver de uma forma diferente. Além de tornar lúcido em mim o verdadeiro sentido de um despertar Espiritual.

Uma das muitas coisas que me impressionaram, durante o encontro, foi a forma organizada que o grupo encontrou para distribuir 7 palestras, 6 dinâmicas muito criativas, 2 reflexões da palavra, além das belas orações, em apenas 32 horas, incluindo tempo de sono e descanso.

Com tão pouco tempo, tivemos a oportunidade de aprender e ampliar nossos conhecimentos sobre a sociedade, o ser humano, educação e exemplo. Sobre confissão, nossa capacidade de acreditar e em que acreditar, sobre as mais belas parábolas deixadas por Jesus nos Evangelhos. Aprendemos muito sobre o próprio Jesus Cristo e o que ganhamos em seguir o seu caminho; sobre a Santa Igreja e seu apostolado; o chamado de Deus a seguir nossa vocação; o nosso papel de autênticos Cristãos, além do ponto alto do encontro que, para mim, foi o estudo sobre a fé.

Fé é a certeza das coisas que se esperam... Espero sinceramente que Deus continue amparando e ajudando esse Grupo maravilhoso que dedica seu tempo a fazer essa obra linda, com tanto amor e um exemplo cristão a ser seguido. Muito Obrigado e Parabéns a todos vocês!”

Cássio Frank – Comunidade Dom Bosco – Fazenda Recanto de Caná - 2011

Não preciso dizer mais nada. Meus caríssimos, continuem firmes, nosso trabalho precisa de vocês, Jesus Cristo precisa de vocês.

Um grande abraço do Pe. Osvaldo

O próximo encontro do Grupo acontecerá no 14 e 15 de maio. O momento será voltado para os familiares dos internos da Fazenda de Canà. Você pode ajudar? Contatos com Carlinha pelo e-mail carla_pena@hotmail.com

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Um Novo Tempo


As coisas mudam em nossas vidas. Disso, quase ningém tem dúvida. Embora saibamos desta verdade, muitas vezes, desconhecemos o mecanismo que cria tais mudanças. Por essa regra, criamos situações em nossas vidas, que na maioria das vezes, atrapalham nossa prosperidade, felicidade, paz e conseguente evolução espiritual.
A auto-estima é, sem dúvida, um dos mecanismos mais importantes. Por nos sentirmos inferiorizados frente a nossos irmãos, desperdiçamos o amor próprio e nos enclausuramos em uma solidão que só existe em nossas cabeças...
A falta de perdão (próprio) é outro destes que sorrateiramente nos envolve em seus grilhões, que são leves demais para serem sentidos até que se tornam pesados demais para serem rompidos. Junto com a falta de esperança, nos impede que agir, de respirar, de viver...
Poderiamos discorrer sobre vários outros destes mecanismos, mas todos parecem se reunir na falta de fé no Cristo interno, que habita em cada um de nós.
Impressionante, como temos ciência desses sentimentos, sem conseguirmos agir. (ou encontrá-los dentro de nós)
As coisas mudam em nossas vidas. Disso, quase ninguém tem dúvida.
E graças a maravilhosa intervenção Divina (que a todos assiste) que, ansiosa espera por nosso pedido de socorro, as coisas mudam!
Ápos intermináveis noites de escuridão e lágrimas, eis que uma sincera prece de arrependimento e humildade, faz despertar em nossos corações a Luz, que por Seu infinito Amor invade nossas vidas e nos faz voltar a enxergar a verdade mais absoluta. Deus nos ama!
E todo o mal começa a se dissipar...
A Luz a todos guia. Um novo tempo começou.
Minha oração vai para todos aqueles que não desistiram. Mesmo quando (parecia que) as trevas eram mais fortes que a luz, não desistiram, e por isso, conseguiram ver a Luz.
"Rogo a todos nós, falhos, que acreditamos que o Amor governa. Levantemo-nos e deixemos que Ele brilhe."

Márcio Vitor

domingo, 10 de outubro de 2010

O essencial é invisível aos olhos

Muita gente quando criança leu O pequeno príncipe, de Exupéry. No ano passado tive a oportunidade de lê-lo novamente, desta vez para o Thiago, meu filho caçula, pois para minha sorte, a escola fez essa solicitação. Essa segunda leitura foi não só mais produtiva como também mais emocionante. Puxa vida, como aquele livro nos ensina! Aparentemente é um livro infantil, mas olha, os recados ali dados servem muito mais pra nós adultos.

Pra quem não terá a oportunidade de lê-lo novamente, pelo menos por agora, se possível dê uma paradinha para ler devagarzinho e com o coração o trecho abaixo que, aliás, é o meu predileto.

Beijo com amor!

Carlinha

E foi então que apareceu a raposa.

__ Bom dia - disse a raposa.

__ Bom dia - respondeu educadamente o pequeno príncipe, que , olhando a sua volta, nada viu.

__ Eu estou aqui - disse a voz, debaixo da macieira...

__ Quem és tu? - perguntou o principezinho. __ Tu és bem bonita...

__ Sou uma raposa - disse a raposa.

__ Vem brincar comigo - propôs ele. __ Estou tão triste...

__ Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. __ Não me cativaram ainda.

__ Ah! Desculpa - disse o principezinho.

Mas após refletir, acrescentou:

__ O que quer dizer "cativar"?

__ Tu não és daqui - disse a raposa. __ Que procuras?

__ Procuro homens - disse o pequeno príncipe. __ Que quer dizer "cativar"?

__ Os homens - disse a raposa - têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?

__ Não - disse o príncipe. __ Eu procuro amigos. __ Que quer dizer "cativar"?

__ É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. __ Significa "criar laços"...

__ Criar laços?

__ Exatamente - disse a raposa. __ Tu não és nada para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E não tenho necessidade de ti. E tu também não tem necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. Eu serei para ti única no mundo...

__ Começo a compreender - disse o pequeno príncipe. __ Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...

__ É possível - disse a raposa. __ Vê-se tanta coisa na Terra...

__ Oh! não foi na Terra - disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:

__ Num outro planeta?

__ Sim.

__ Há caçadores nesse outro planeta?

__ Não.

__ Que bom! E galinhas?

__ Também não

__ Nada é perfeito - suspirou a raposa.

Mas a raposa retornou a seu raciocínio.

__ Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens também. E isso me incomoda um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:

__ Por favor... cativa-me! -disse ela.

__ Eu até gostaria -disse o principezinho -, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

__ A gente só conhece bem as coisas que cativou -disse a raposa. __ Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

__ O que é preciso fazer? -perguntou o pequeno príncipe.

__ É preciso ser paciente -respondeu a raposa. __ Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. E te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás um pouco mais perto...

No dia seguinte o príncipe voltou.

__ Teria sido melhor se voltasses à mesma hora -disse a raposa. __ Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração... É preciso que haja um ritual.

__ Que é um "ritual"? -perguntou o principezinho.

__ É uma coisa muito esquecida também -disse a raposa. __ É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, adoram um ritual. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira é então o dia maravilhoso! Vou passear até à vinha. Se os caçadores dançassem em qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu nunca teria férias!

Assim o pequeno príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

__ Ah! Eu vou chorar.

__ A culpa é tua - disse o principezinho. __ Eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...

__ Quis - disse a raposa.

__ Mas tu vais chorar! -disse ele.

__ Vou - disse a raposa.

__ Então não terás ganho nada!

__ Terei, sim - disse a raposa __ por causa da cor do trigo.

Depois ela acrescentou:

__ Vai rever as rosas. Assim, compreenderá que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.

O pequeno príncipe foi rever as rosas:

__ Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu a tornei minha amiga. Agora ela é única no mundo.

E as rosas ficaram desapontadas.

__ Sóis belas, mas vazias - continuou ele. __Não se pode morrer por vós. Um passante qualquer sem dúvida pensaria que a minha rosa se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mas importante que todas vós, pois foi ela quem eu reguei. Foi ela quem pus sob a redoma. Foi ela quem abriguei com o pára-vento. Foi nela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi ela quem eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. Já que ela é a minha rosa.

E voltou, então, à raposa:

__ Adeus... -disse ele.

__ Adeus -disse a raposa. __ Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.

__ O essencial é invisível aos olhos - repetiu o principezinho, para não esquecer.

__ Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.

__ Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... -repetiu ele, para não esquecer.

__ Os homens esqueceram essa verdade -disse ainda a raposa. __ Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...

__ Eu sou responsável pela minha rosa... -repetiu o principezinho, para não esquecer.

Antoine de Saint-Exupéry

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Lugares de paz

Cheguei quase 1 hora antes do combinado, toquei o interfone, me identifiquei e remotamente abriram o portão. Entrei, passei pelos vasinhos de flores que ficam na entrada. A casa estava toda escura e o silêncio era tão prazeroso que fiquei alguns segundos ali o aproveitando. Com certeza eu era a primeira a chegar! Vi uma luz fraquinha na capela e fui caminhando devagarzinho até lá. Antes mesmo de chegar perto, por uma das janelas semi-abertas, avistei o Padre Osvaldo em frente ao sacrário, sozinho e em oração. Resolvi não prosseguir pra não atrapalhar. Nos 20 minutos seguintes fiquei caminhando no escuro e em silêncio por todo o Recanto de Caná até que o PO aparecesse e um tempo depois começasse a chegar o restante do pessoal pra missa de entrega.

Como seria bom se eu pudesse ter aquela sensação de paz intensa com mais frequência! Sabe quando a gente acorda de madrugada, a casa toda escura e silenciosa, para não fazer barulho vai descalço até a cozinha tomar um copo d´água, na volta dá uma paradinha no quarto dos filhos e os vê dormindo aquele soninho melhor do mundo? É ou não uma sensação de paz maravilhosa?

A vida tem sido um turbilhão de atividades, trânsito caótico na hora do almoço, corrida pra dar tempo de cumprir todas as atividades do dia. No final de semana de setembro em que eu trabalhei na cozinha do encontro pros familiares dos internos, ficou ainda mais claro como estou em um ritmo frenético. Cozinha de encontro é puxada, a gente trabalha em pé da hora que acorda até a hora de deitar e, apesar disso, no final do sábado, pra minha surpresa, eu nem estava tão cansada assim... Dormi muito pouco de sábado pra domingo: faltava meu travesseiro, sobrava pernilongo, faltava também o vidro em uma das janelas e o vento frio entrava sem cerimônia; mas acordamos felizes no dia seguinte antes das 06 horas, trabalhamos o dia todo e o cansaço só foi bater pra valer em mim no final do domingo, por volta das 21h, depois de chegar em casa, tomar meu banho e deitar na minha cama. Isso mostra como o dia a dia tem sido muito mais exaustivo que um final de semana inteiro trabalhando na cozinha do Caná. Por que trabalhar sentada em frente ao computador, com o esforço físico de apenas 4 dedos (É! Sou catilógrafa) me deixa mais cansada do que a cozinha do encontro? Certamente a quantidade de risos dados naqueles dois dias foi maior do que em 1 mês inteiro no trabalho. Além disso, a troca dos relacionamentos superficiais (e muitas vezes não sinceros) do ambiente profissional pelas amizades verdadeiras também faz um bem danado!

Está claro que a Fazenda tem se tornado outro lugar de paz pra mim, e é inevitável, vou lá com a intenção de ser útil, mas saio sempre no lucro! E de lá tenho construído dezenas de boas lembranças, assim como tenho do Recanto...

São sensações como as acima que quero cada vez mais e as tenho buscado, porque o que me parece é que muitas vezes, fora destes lugares ou do ambiente familiar, estou numa selva.

São momentos e lugares como os que citei, que nos deixam mais leves pra dar conta do mundo lá fora. Desejo que vocês estejam na busca dos seus também!

Beijo grande!

Carlinha

domingo, 26 de setembro de 2010

O povo precisa é do Tiririca?


Durante os últimos 4 anos, eu recebi alguns poucos emails sobre política, geralmente uma piadinha sobre o Lula... O milagre da multiplicação dos emails aconteceu nos últimos 2 meses! Tenho recebido pelo menos 5 ou 6 mensagens diárias, denegrindo a imagem do Serra ou da Dilma. Mas onde estão os emails falando da Marina? Será então que ela é uma política diferenciada e por isso não existem manchas no seu passado? Claro que esta é apenas uma provocação; todos nós sabemos que o foco está nos candidatos do PSDB e PT, por liderarem as pesquisas.

Como sempre acontece também, muitas pessoas dizem que querem votar na Marina, mas votarão no Serra para tentar evitar a Dilma. Será que o voto é isso mesmo, um jogo estratégico onde votamos em quem não acreditamos para evitar o que julgamos ainda pior? Eu não creio. Não vou votar em alguém que não merece o meu voto para evitar outro. Na minha opinião os dois são ruins e sendo assim, não vou votar no menos pior. Mas, espera um minuto, o problema é esse mesmo ou estamos discutindo as conseqüências dele?

Os partidos estão nos oferecendo candidatos capazes de assumir a tarefa pública? Romário, Bebeto, Marcelinho Carioca, Túlio Maravilha, Roberto Dinamite, Vampeta, Agnaldo Timótio, não sei quem do KLB, Mulher Pera e outras frutas, Ronaldo Esper, Netinho para Senador, Tiririca e outros estão preparados para tal? “Vote em Tiririca, pior do que está não fica”. Fica sim meus caros, pode ficar muito pior. Mas onde estão os emails que deveriam articular o povo para impedir uma candidatura e talvez até a eleição, de um Tiririca da vida? Colocar alguém despreparado para uma tarefa importante é ser inconseqüente. Porque as pesquisas anunciam a eleição fácil do Tiririca? Será que as pessoas estão votando nele por sua competência? Não posso acreditar nisto... Ou será que estão votando como forma de brincadeira, piada? Também não pode ser... Talvez seja uma forma de protesto. Já que a grande maioria dos políticos são uns hipócritas corruptos, voto no palhaço como protesto. Meus caros, até para protestar nós temos que estar preparados. Um protesto como este é um tiro no pé!!

Minha frustração é ver a apatia da população e pior ainda, as pessoas não questionarem o que estão fazendo e apenas repassarem. A internet virou a promotora do amadorismo. Reflitam comigo, você compra um livro ou lê uma revista, um artigo, de quem tem autoridade para falar sobre o tema. A internet proporcionou visibilidade aos desconhecidos, amadores que se encobrem sob o véu da não identidade e podem então postar o que quiserem. Até aí, tudo bem! Somos livres e devemos usar esta autonomia também na forma de novas idéias. Mas qual a responsabilidade de quem lê? Não deveríamos fazê-lo com olhos críticos e na dúvida não reenviar? Meus amigos, repassar um email cuja informação não seja clara, fidedigna e verdadeira, pode deflagrar um tsunami virtual de irresponsabilidade.

Estes emails pedindo para repassar, como utilidade pública ou 'assinado' por alguém notório, são repassados como verdade absoluta. No momento em que repassamos, estamos subindo em um palanque e discursando para uma grande massa de internautas. Por isso é preciso ter senso crítico e validar o que se está repassando.

Sejamos cidadãos sérios e façamos nosso dever de casa. Da mesma forma que navegamos na web buscando notícias, músicas, filmes, etc, sugiro a todos entrar nos sites de informação sobre os nossos políticos. Pesquisar suas fichas, o que fizeram, projetos propostos e aprovados, para escolher o seu candidato. O 'Transparência Brasil' é muito bom, mas existem vários.

Vote com consciência e responsabilidade.

Que Deus nos ajude,

Paulo Tadeu de Resende


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

ÉTICA E POLÍTICA

“ O semeador saiu para semear a sua semente” (Lc 8, 5)

É com essa palavra que iniciamos mais um projeto Eleições. Desde 2006, o NesP organiza, em anos de eleição, atividades dedicadas a pensar o processo eleitoral. Em 2010 não é diferente. Neste ano a campanha do NesP retoma algumas reflexões realizadas anteriormente e acrescenta assuntos novos com a intenção de contribuir com as tarefas árduas do semeador: a de sair e a de semear.

Precisa-se de cidadãos não apenas dispostos a semear uma nova forma de pensar a sociedade e a política, mas interessados em sair do lugar para fazer o trabalho de encontrar terra boa para a semente. Encontrar solo fértil, neste momento, significa identificar os que defendem causas comprometidas com a vida, com o bem comum, com a inclusão e com a justiça social. Significa encontrar candidatos que mobilizem a sociedade a favor do crescimento da consciência política e que defendam a participação popular e os interesses da coletividade. Significa sair à procura e em defesa dos que se pautam pela honestidade, pela ética e pelo compromisso com os mais pobres.

O que pretendemos com esta campanha é contribuir para que o cristão comprometido seja semeador desta boa semente - a ética - e encontre para ela terra boa na qual germine ideais de uma nova cultura política no país. Que o engajamento de cada semeador contribua para que a sociedade repense as formas de conviver com os políticos e consiga ajudar o aprimoramento da democracia no Brasil.

A nossa sugestão é para que todos arregacem as mangas, descruzem os braços e se ponham a cultivar o ideal de mudança: procurar a terra boa, jogar nela a semente de boa qualidade, adubar, zelar da semeadura com dedicação para que possamos, ao final do processo eleitoral, colher os bons frutos originados desse trabalho. Por isso, convidamos todos a se dedicarem a esta iniciativa. Em cada discussão, em cada reunião, em cada voto consciente, em cada momento em que um cidadão se decide por votar a favor da honestidade, da ética, do bem comum e contra a corrupção estamos construindo a democracia e defendendo os princípios éticos.

Quais seriam os princípios éticos dos quais não podemos abrir mão? Podemos resumir esses princípios lembrando-nos de que a política deve defender os Direitos Humanos. Os direitos referentes à vida devem prevalecer sobre os direitos referentes às coisas, e os direitos referentes ao bem de todos devem prevalecer sobre os direitos referentes ao bem particular. Podemos também lembrar que o político ético é o que se põe em atitude de serviço, não de dominação e nem de busca do proveito pessoal. O político ético é o que ajuda a proporcionar condições para que as pessoas e as comunidades possam levar uma vida digna e solidária.

A mudança desejada poderá levar algum tempo para acontecer, como é comum com toda mudança nas formas de pensar e de agir de um povo. Há apenas trinta anos, pouca gente se preocupava com a poluição dos rios, com a reciclagem de materiais, com as novas fontes de energia. Foram necessárias muitas campanhas em favor da ecologia e do respeito à natureza, reforçadas por leis de proteção ambiental, para que essa mentalidade começasse a mudar.

Esperamos que nossas campanhas pela consciência democrática tenham fertilidade e sejam semente que caia em boa terra. Em outubro deste ano devemos comparecer a uma seção eleitoral para votar, fazendo valer nosso direito de cidadãos e cidadãs. Vamos eleger presidente da República, o governador, senadores, deputados federais e deputados estaduais. A nossa participação é fundamental. Mas participar como? Votando em candidatos que defendam a ética, o compromisso com os necessitados, a honestidade e a justiça social.

Fonte: http://www.pucminas.br/nesp
Contribuição de Márcio Vítor

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

OS PEQUENOS MILAGRES DE CADA DIA

No ultimo mês, voltei a freqüentar a missa na Capela de Maria Porta do Céu, pertencente ao complexo da Igreja de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, aqui em Campinas/SP. Minha comunicação com o “andar de cima” estava meio atrapalhada, cheia de ruídos, e então resolvi resgatá-la. A Palavra de Deus, na minha experiência, sempre me alimentou e renovou minhas esperanças em dias melhores, mesmo que, em muitos momentos, eu não tenha tido condições de compreendê-la.

Preciso dizer que essa capela sempre mexeu muito comigo. Não sei dizer o que é, mas sinto algo diferente quando entro lá. Uma paz enorme toma conta de mim e quase sempre eu passo a missa inteira chorando. Não se trata de um choro de sofrimento, mas de um choro de agradecimento por estar ali sendo ouvida por Jesus e Maria, pela honra de estar sendo recebida por Eles naquele lugar santo. Sei lá... Só sei que é algo bom, como se minhas lágrimas lavassem minha alma. Saio de lá sempre mais leve e com mais coragem para enfrentar a vida.

Já há algumas semanas estava me sentindo mal por ter saído do meu emprego. Não pelo fato de ter saído, mas pela forma como foi. Eu me sentia traída por pessoas que eu confiava, pessoas que eu ensinei a trabalhar literalmente e que me envolveram numa trama digna de Hollywood. Eu estava cheia de mágoa e, em alguns momentos, até mesmo ódio. Não podia evitar, pois a decepção era imensa. Eu só conseguia pensar em justiça, na “justiça de Deus”, já que eu não podia fazer nada naquele momento. Na verdade, eu queria punição para aqueles que me fizeram sofrer, mas a MINHA punição. Na minha concepção, eu havia feito tudo certo, não tinha desejado ou feito mal a ninguém, então por que o mal triunfaria? E eu pensava nisso 24h por dia. Pensamentos que estavam cada vez mais me envenenando e me fazendo sofrer.

Na última 6ª feira senti algo intrigante durante a missa, não sei se essa é a palavra correta. Sentia o meu coração ainda pesado de mágoa. Desta vez meu pedido era para que a mágoa se dissipasse, mas algo muito melhor aconteceu. Eu não sei explicar como, mas num dado momento eu senti como se todos os pensamentos confusos e sentimentos ruins misturados que eu trazia fossem limpos e uma clareza imensa de percepção do que havia ocorrido tomou conta de mim. Pela primeira vez eu podia enxergar o que acontecera em todas as perspectivas, e, de minha parte, o que eu havia feito, mesmo sem saber ou querer, para que os acontecimentos tivessem caminhado para aquele desfecho. De repente tudo ficou tão claro e límpido, e eu me pus a pedir perdão a Deus pelos meus erros, cujo principal teria sido o de esquecer que trabalhamos não para a nossa causa, mas pela causa Dele, para a construção do Seu Reino. Imaginem eu, freqüentadora do PRODES por tantos anos, que havia escutado e falado tantas vezes disso, como poderia ter me esquecido? Como pude deixar que a fraqueza do humano sobrepusesse os propósitos de Deus? Como pude esquecer que se estamos aqui no mundo, do jeito que estamos, é somente porque Ele quer que trabalhemos para Sua obra? Recordo-me de uma vez ter ficado um bom tempo conversando com o Elimar sobre isso, e que ele, em muitos momentos e de muitas formas, me lembrou disso... Em algum lugar do caminho eu havia me perdido, e aquela foi a forma que Ele encontrou para me trazer de volta às Suas coisas, ao Seu caminho. Se não vai pelo amor, vai pela dor, não é?

Depois dessa constatação, fiquei ajoelhada pedindo perdão sem parar até que senti, de verdade, que havia sido perdoada, e uma enorme paz tomou conta de mim de uma forma indescritível. Eu estava leve, parecia poder flutuar se eu quisesse. Até mesmo a lembrança ruim das pessoas que me prejudicaram havia sido transformada e eu pensava nelas com compaixão. Para mim, um milagre aconteceu ali, que pode parecer pequeno aos olhos daqueles que esperam que Deus se manifeste de formas estrondosas e magníficas. Eu senti, como nunca antes, a presença e o amor de Deus me perdoando e me dando licença para tentar outra vez... É , tentar outra vez, porque o trabalho pelo Seu reino é grande e pesado, e Ele precisa de cada um que quiser ser resgatado para isso. Interessante que Ele havia me dado esse sinal em uma música do Raul Seixas que eu escutava no meu carro no momento em que cheguei na igreja aquele dia: “tente outra vez...”. Ele nos dá sinais o tempo todo, nós é que muitas vezes estamos cegos ou surdos a eles.

Eu passei o resto da missa e uma meia hora depois de seu término agradecendo aquele “milagre”, aquela graça que eu havia recebido. Não sou melhor do que ninguém, nem quero servir de exemplo, sou apenas uma filha de Deus que recebeu a Sua misericórdia.

Não vou mentir, também senti medo e ainda sinto. Medo de que não consiga cuidar bem dos “negócios” do Pai, que não consiga levar adiante o propósito da construção do Seu Reino, que não consiga entender os seus sinais, mas entreguei meu coração a Ele como nunca havia feito antes, talvez até por falta de maturidade espiritual, não sei..., e acredito que Ele vai me ajudar a continuar enxergando. Afinal, eu via claramente o argueiro nos olhos dos outros e não enxergava a trave nos meus. Eu estava cega e voltei a enxergar...

Foi lindo!!! E eu queria compartilhar isso com vocês, meus irmãos em Cristo.

Grande e saudoso beijo,

Karla Vignoli Viegas Barreira.